domingo, 24 de março de 2013


E parece que foi ontem que aprendeste a andar, que caíste imensas vezes, que deste com a cabeça na parede e te ergues-te ...
Vai ser sempre assim, tu vais cair, tropeçar, vais ganhar cicatrizes que vão ficar para a vida, nódoas negras das quais nunca te vais esquecer, e talvez os teus pais não estejam mais lá para te amparar nas quedas, e os teus avós que viste ontem pela ultima vez não façam mais parte dos teus natais, e se soubesses que aquele natal seria o último? teria sido diferente? Quem sabe já não te queixasses daquelas meias que a avó te deu, nem discutisses com o teu avô e da sua mania de dormir a sesta, e aquele relógio velho de pulso que ele trazia sempre consigo tivesse passado de uma lembrança. Quem sabe talvez aquelas histórias antigas que eles te contavam fossem revividas com mais saudade, e aqueles seus sorrisos quase sem dentes hoje fossem para além que memórias. Quem sabe as coisas teriam sido diferentes se nos tivessem dito que o amanhã é incerto.
Quem sabe eu amanhã não esteja mais aqui.


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